Hoje não. Hoje escondo-me em segredo, envolta no medo de que descubram o meu pensamento.
Hoje, vive cinicamente, ri efusivamente e conversei circunstancialmente, para que ninguém o encontrasse. Hoje posei de actriz, mas ainda bem que o fiz! Falei do tempo, da chuva, do sol, do festival da batata-doce, do que li, do que ouvi, do que não vi; falei do fim-de-semana, do que tentei fazer, do que aconteceu, do que não fiz. Falei contigo, com os colegas, com os outros, com quem queria falar comigo e quem não queria também. Escutei os outros, deixei-me absorver nos seus pensamentos, nos momentos que viveram, nos que contaram e imaginei os restantes. Observei as pessoas, as paredes, o local, a correria, as reclamações, os agradecimentos, os "olás" e os "adeus". Admirei a simplicidade do interruptor, o som da chuva, as nuvens, o barulho da cidade, o sabor do café, o silêncio do gabinete e o cheiro da sala.
Hoje o meu pensamento vagueou, para não encontrar o caminho, até onde eu não queria que ele fosse.
Hoje posei de actriz e ainda bem que o fiz. Não queria te ver, não me apetecia escrever, não queria falar, não queria ouvir e muito menos sentir, mas hoje fiz tudo o que não queria.
Hoje fiz uma descoberta! Quanto mais tentava fugir do meu pensamento, mais ele concentrava-se nas coisas mais simples da vida, nas mais belas!
Hoje, eu escutei, observei e admirei!
Hoje, ainda bem que posei de actriz, pois relembrei como as coisas mais simples, são as melhores e as mais importantes!
Fernando Pessoa escreveu "Outras vezes oiço passar o vento, E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido."
...excesso de tempo livre dá...para apreciar as coisas mais simples da vida...e...excesso de tempo livre dá...para escrever(ainda que hoje não!)
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